quinta-feira, 1 de maio de 2014

CABALA DA NOITE.

Cabala da noite!
Agradecer também é exercício..Agradecer os pequenos milagres diários, agradecer as possibilidades de crescimento, agradecer algumas revelações. Obrigada meu DEUS!

CABALA DA MULHER.

MULHER...
Simples assim..Intensa, segura, forte, acolhedora, amante, amiga..
Simples assim..Chorosa, insegura, vulnerável, necessitando de colo..
Paradoxais..Insubstituíveis, insuperáveis...Ventres que geram vida ..vida que gera alegria...É...assim somos nós..Simples assim ...MULHERES com toda grandeza e mistério ... Mônica Pereira

CABALA DE CARNAVAL.

Dance..alegre seu corpo, mas não o profane , pois ele é o seu templo e nele DEUS habita!... Mônica Pereira


Somente pensando:
Meu pai dizia que a "oração é o desejo sincero da alma", sei que entendia, como eu, que nosso corpo é o nosso templo. Fico me perguntando o porquê de tanta gritaria, o porquê de tantas palavras para atacar pessoas que pensam diferente e oram diferente, alegria não é pecado, sorrir não é pecado, dançar, absolutamente não é pecado. Pecado, creio eu, é fugir da essência e tentar parecer o que não é, pois as palavras soam falsas, vejo uma necessidade de gritar para tentar convencer a si mesmo de tudo aquilo que sai , aos borbotões, da boca!
Equilíbrio é a chave, pois tudo que é excesso. SOBRA!
Dica do dia: Procure focar naquilo que lhe diz respeito, diretamente!É muito desagradável, deselegante, desnecessário, ficar fiscalizando a vida alheia e criticando, aquilo que gostaria de ser e não pode!

CABALA

Cabala é o nome de uma ciência oculta ligada ao Judaísmo, mas é também um termo usado com o significado de trama, intriga secreta, conspiração. Cabala é um método esotérico que engloba um conjunto de ensinamentos relacionados com Deus, o universo, o homem, a criação do mundo, a vida e a morte. Quando uso o termo CABALA, é como se dissesse que é um pensamento, uma dica, vinda da minha observação de fatos cotidianos, sem a menor pretensão de “divindade” ou verdade irrefutável, somente para levar à reflexão.
Vou reunir, nesse espaço meu de pensamentos, as CABALAS  que faço! Espero que algumas delas possam ajudar em alguns momentos.

Cabala da noite:
Meu DEUS interior, saúda seu DEUS interior: Namastê..



sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Dia do MEU PAI!


Dia do Meu Pai.

            É muito estranho passar por esse dia, mesmo que saibamos que há embutido um apelo comercial forte, ainda assim é um dia de comemoração! As famílias se reúnem para comemorar.
            Desde pequena , minha ligação com meu pai foi muito forte! Andava sempre com ele, parecia seu chaveirinho. Aprendi a amar o Fluminense, pois era com ele que eu ia ao Maracanã, às Laranjeiras ou em qualquer lugar que jogasse o nosso FLU!
            Aprendi a olhar o próximo com carinho e respeito, a dividir meus brinquedos, a esperar para ganhar os presentes. Lembro-me de uma conversa que ouvi entre ele e minha mãe, onde ela pedia para entregar logo o brinquedo do dia das crianças, ou seja, antes da data com a argumentação de que eu era filha única e que o presente já estava comprado e não tinha o porquê de aguardar tanto e ele disse: Não, pois a Mônica tem que aprender que nem sempre na vida temos tudo na hora que queremos, por vezes é preciso aguardar e ela precisa aprender a aceitar tanto o sim , quanto o não sem revoltar-se! Ao ouvir, mesmo pequena, pensei que realmente não era nada demais esperar e no tão esperado dia desembrulhar e ter a grande surpresa!
            Lembro-me de quando não tinha um carro e a vida era um pouco mais difícil , estávamos eu, ele e minha mãe sentados na varanda da nossa casa na vila e vimos todos saírem para passear no domingo e eu perguntei o porquê de não podermos sair também e ele disse : Porque hoje nós vamos ficar juntos e vamos fazer algo que ninguém poderá fazer nesses lugares que vão passear e eu , intrigada, perguntei o que? E ele disse: fazer nossos planos de nossos futuros passeios, imaginar onde queremos ir, como vamos, o que vamos fazer e eu achei aquilo fantástico, pois como sempre tive a imaginação fértil, quase fomos à Dubai.
            Um dia ainda vou gravar a música que ele fez pra mim e me ninava com ela, cantando com tanta emoção, que de lembrar me aperta o peito de saudade de quando era pequena e estava em seus braços, protegida e de agradecimento à DEUS de ter recebido tanto carinho e amor! Diz assim a canção: “ Mônica Maria, minha filha, meu amor, dorme feliz com os anjos é meu pedido ao Senhor! Ela está dormindo, Ele me atendeu, dorme feliz com os anjos, no colo do pai que é teu!”
            Quando me tornei adolescente, fui muito questionadora, e ele já advogado brilhante , me “ganhava” nas argumentações, tanto que resolvi fazer advocacia para estar equilibrada a “peleja” e porque eu ,simplesmente , ficava extasiada ao vê-lo preparar suas defesas e muito mais ainda quando o via atuar no Júri, um espetáculo! Sempre que pude fui acompanhar seus Júris para vê-lo de beca, “passeando” pelas peças processuais, fluente, enfático, seguro , carismático e acima de tudo feliz, feliz por estar desempenhando um papel que foi talhado por DEUS.
            Todos os domingos ele acordava e quando eu acordava  antes mesmo do bom dia, já me perguntava o que ia ser o tira-gosto para a cervejinha de antes do almoço e eu SEMPRE abençoei os domingos, pois estávamos juntos, conversando, rindo, bebericando, por vezes discutindo, mas...estávamos juntos! Depois do almoço, ainda na mesa a cantoria começava e mesmo que eu não quisesse tinha que cantar “ Sangrando” do Gonzaguinha, alguma música em espanhol e ultimamente alguma do Vander Lee. Após a cantoria ele dizia: Vou arrumar o quarto, que era a soneca com a minha mãe! Os domingos perderam o charme e muito da alegria!
            Busco, diariamente, em minha memória afetiva esses momentos para que eu não sinta dor, pois sei que prejudica o seu caminho e a saudade é uma dor que dói nos dois mundos e a paz dele depende da paz dos que ficaram.
            Converso muito isso com a minha mãe e as meninas, não podemos hoje sofrer e lembrar dos momentos tristes que vivemos há pouco, temos muitos, mas muitos momentos felizes para lembrar, nosso reservatório de carinho e felicidade é muito maior!
            Agradeço à DEUS tê-lo tido para dançar minha valsa de 15 anos; em minhas formaturas vendo o brilho de orgulho em seus olhos; para me conduzir ao altar , quando casei. Especial vê-lo dançando a valsa de 15 anos da Wendy e da Hillary,ter estado na formatura delas. Agradeço à DEUS ter comemorado com uma festa surpresa, com todos os seus amigos, seus 70 anos e ele estava especialmente feliz! Agradeço à DEUS ter participado de todas as suas vitórias profissionais. Agradeço à DEUS ele ter participado da festa maravilhosa de 70 anos da minha mãe, que aliás merece um agradecimento especial o MEU DEUS por ter visto um amor durar 59 anos, o amor dos meus pais!
            E o meu agradecimento especial à DEUS é pelo fato de amar muito o meu pai e não ter descoberto isso somente quando ele partiu. Agradeço por todas as vezes em que eu disse: Pai eu te amo muito, você é o amor da minha vida! Eu disse, eu pude dizer, eu pude sentir , eu tive tempo, eu vivi esse amor. Eu cuidei, eu acarinhei, eu segurei a mão, eu dormi sentada no chão de mãos dadas com ele, eu passei noites no sofá com ele, quando ele não conseguia dormir! Eu pude retribuir o carinho e o amor que recebi quando era bebê, eu cuidei, eu amei e isso é uma benção!
            Hoje, nesse dia dedicado aos pais, os meus presentes pra ele são: o meu amor, o meu agradecimento, as minhas palavras dedicadas a ele e , principalmente, a minha oração, pois a oração é o desejo sincero da alma! Pai eu te dou a minha PAZ para que você tenha sua PAZ! E se eu pudesse cantaria pra você...
“ Quando eu soltar a minha voz, por favor entenda..
Que palavra, por palavra, eis aqui uma pessoa se entregando...
Coração na boca, peito aberto, vou sangrando.....”

            

domingo, 4 de agosto de 2013

2ª Saga: Conseguir um Táxi..



                Bom, pegar um táxi é simples, não?! Negativo. Absolutamente improvável e missão de êxito duvidoso. É um contrato tácito de trabalho, ou seja, eu contrato você, taxista, para me transportar para local determinado, com segurança e urbanidade e eu o pago por esse serviço, certo? Hoje em dia, errado!
                Diariamente faço uso desse “serviço” para ir ao trabalho e há anos atrás isso era bastante simples, bastava que eu ligasse para uma cooperativa e solicitasse a viatura e era atendida de pronto e seguia eu feliz para meu trabalho. Hoje em dia, isso já gera uma ansiedade no dia anterior, pois NUNCA há um táxi disponível na referida cooperativa, sempre ouço: “estarei chamando no rádio e assim que conseguir retorno a ligação, senhora” sempre no gerúndio e para esperar, nunca de pronto.
                Hoje pedir um táxi é quase propor casamento, preciso dizer para onde vou, quantas pessoas estarão no carro, se é de imediato, se o pagamento é em dinheiro, qual a roupa que estou usando, qual um ponto de referência, qual a minha religião, se tenho cães, se tenho alergia, se faço uso de remédios controlados, se moro em área de risco, meu RG, meu CPF, preciso andar com uma certidão de bons antecedentes, folha criminal, enfim preciso fazer um raio X de quem sou para , quem sabe, conseguir um táxi.
                Há locais absolutamente proibidos para os taxistas, dois deles são: Taquara e Barra da Tijuca, temos que mentir o destino, pois na cooperativa simplesmente ignoram esses pedidos e quando informam o QTI ( destino da corrida) taxistas camaleões se escondem e não atendem sua chamada, os vejo escondidos em ruas próximas a minha e somente saem de suas cavernas quando percebem que a viagem ao epicentro dos engarrafamentos, ou seja, a minha corrida, já foi atendida.
                Quando não consigo na cooperativa e isso geralmente acontece vou para a rua tentar pegar um táxi de rolé, ou seja, aquele que não tem cooperativa e meio que aceita qualquer corrida pois tem que pagar a diária. Faço o sinal e ele me pergunta pela janelinha : “Pra onde?” e eu fico envergonhada de dizer “Taquara” e ele acelerar o carro, penso em mentir mas não adianta ,ele saberá! E nesse role, muitas histórias.
                Um deles , assim que embarquei disse: “ Minha senhora, sou um homem abençoado por DEUS, hoje sou um homem transformado pelo poder de DEUS, pois vou lhe dar o meu testemunho: Eu era traficante, fui preso várias vezes ( nesse momento olhou pra trás e sorriu e eu estremeci), tomei tiro da polícia, dei muito tiro em policiais, acabei de sair da prisão e lá aprendi muitas coisas, não sabia que lá eu poderia aprender tanta coisa ruim ( Olhou pra trás de novo e sorriu e minha mão já foi para a maçaneta, pois mais um sorriso do lagarto daqueles eu ia me jogar na estrada) e agora não, sou um homem transformado, casei de novo, tenho um filho de 6 meses com minha companheira que também foi transformada acabou de sair do presídio Talavera Bruce só quem continua lá é minha filha que também está presa por tráfico de drogas, pois seguiu o meu exemplo, mas hoje ela também já se regenerou e daqui a pouco estará na sociedade, fico muito feliz que possa estar falando todas essas coisas para a senhora, pois meu testemunho já salvou muita gente que entrou aqui no táxi. Na semana passada um homem embarcou no meu táxi querendo que eu o levasse para matar a mulher dele e eu consegui fazer com que ele desistisse disso...”  foram os vinte minutos mais longos da vida e quando saí do táxi esbaforida e aliviada esqueci meu celular e ele retornou à escola para me devolver, o agradeci e fiquei feliz por tê-lo pego quando já estava no lado da LUZ.
                Numa outra corrida quando embarquei o motorista passou a olhar-me pelo retrovisor e sorrir, depois começou meio que a falar sozinho , depois disse: “ Posso falar uma coisa para a senhora?” respondi que sim e ele começou a desabafar: “ Pois é, a senhora veja, faço tudo que minha esposa quer, pago as contas, faço as compras inclusive para sustentar o meu cunhado que está desempregado e tem duas famílias, a levo ao cinema, sou carinhoso, cuido de nossos filhos, levo as crianças para passear, levo ao médico, sou um homem bom a senhora não acha?” Respondi positivamente com a cabeça e ele nesse momento deu um soco no volante e disse , já meio alterado: “ Pooooooiiis é, e agora me disseram que ela tem um amante, um AMANTE, agora como posso trabalhar com a cabeça no lugar se sei que ela tem um amante? A senhora me diga, Comoooo? ( nesse momento parou o carro e olhou pra trás, querendo que eu respondesse)”  Eu disse: Não acredite em tudo que dizem! ( Queria acalmá-lo para chegar em segurança na escola)e ele disse: A senhora acha que é mentira? De gente que se incomoda com a nossa felicidade? Ou acha que onde há fumaça , há fogo? Fiz uma cara de pensamento profundo , pois ganharia tempo e já estava chegando próximo à escola e quando estava na porta da escola eu disse: Humm, creio que possa ser uma mentira, relaxe e observe! Ele deu um sorriso e me agradeceu. Eu, com esse comportamento protegi um próximo passageiro, mas creio que ele estivesse sendo enganado.
                Numa das corridas solicitadas à cooperativa que me “serve”(será?) quando embarquei notei que tinha uma caixa de ferramentas sobre o banco e falei ao motorista: “tem aqui uma caixa de ferramentas em cima do banco” ele olhou e disse:” Ahh, chega um pouquinho pro lado e senta!” Como assim? Isso se faz quando estamos de carona, mas num transporte contratado? Acreditem, foi verdade!
                Em outra solicitei o táxi, entrei e estou descansando, ouvindo uma música suave eis que de repente vejo no teto do carro uma imensa BARATA. Não poderia eu estar no mesmo espaço que ela e gritei muito, abri a porta do carro e saltei, a sorte é que o sinal estava vermelho e o motorista assustou-se e disse o que houve?? E eu disse: Uma baraaataaa! Surpreendentemente o motorista também saltou , ele tinha mais medo do que eu! E veio um policial militar para saber o que estava acontecendo e quando relatei o fato ele olha pro motorista e fala: “ Francamente, hein meu rapaz, você quer que eu dê um tiro na barata?” ao que o taxista respondeu: “Sim”...... O policial matou a barata, com os pés mesmo e seguimos viagem, mas esse fato até hoje aguça a curiosidade dos outros taxistas da cooperativa que querem que eu diga quem era o motorista. Não digo!
                Vou relatar somente mais um, pois faria páginas e páginas de minhas aventuras nos táxis cariocas. Peguei um táxi na esquina da minha rua e ao embarcar o motorista começa a me olhar insistentemente pelo retrovisor e aquilo começa a me chamar atenção, eis que vem a pergunta: “ Você foi bancária?” Sim, fui bancária. “ Eu sabia, você trabalhou no Banco Nacional, agência Carvalho de Souza, eu trabalhava numa loja Lewis que tinha ao lado do Império Serrano e eu ia todos os dias na hora do meu almoço pra ver você, pois você era uma mulher muito bonita, ou melhor ainda é, seu nome é Mônica, não é?” bom, fiquei pasma com essa lembrança, pois fui bancária há mais de 20 anos atrás e, de repente, na rua, pegar um táxi e o motorista se lembrar de mim? Como assim? Nesse dia agradeci à cooperativa que não pode me servir e tive a oportunidade de receber um super elogio, nem tudo é ruim, não é?

                Para encerrar um recado aos motoristas de táxi, o passageiro é na verdade o objetivo da existência do seu trabalho, o passageiro está para o motorista como o aluno está para o professor, o paciente para o médico e assim vai.  Quando uma corrida é anunciada e você a aceita, não vá nessa hora ao banheiro, beber água, tomar seu café, fumar seu cigarrinho e nos deixar esperando pois parece que estamos a pedir um favor e de repente estamos nós a “incomodar” seu papinho com os colegas. Se essa é a profissão que escolheu , seja responsável  e faça com amor, esse é o diferencial.

sábado, 18 de maio de 2013

1ª Saga: O cancelamento de serviços( linha telefônica)


Exaustivamente tentei entrar em contato com uma atendente “pessoa” para fazer o cancelamento de uma linha telefônica, foram horas de espera, vários dias de tentativas vãs. Sempre “o tecle a opção desejada” e a minha opção desejada não existia então fale pausadamente o que deseja: “ Gostaria de cancelar a linha” Essa opção não é entendida e, quando finalmente uma “pessoa” me atende ela , maquinalmente, dá a mesma resposta para perguntas diferentes, ou seja, não existe a opção falar com alguém que seja pensante, que efetivamente queira te ajudar, ou pelo menos ouvir.
São treinados para responder a mesma coisa, mesmo com perguntas diferentes e somos encaminhados para uma loja com “seres humanos” para que possamos finalmente “cancelar” a linha . Ao chegar à loja, a atendente ao saber da minha necessidade, ou seja, que não era a de comprar e sim cancelar, me encaminhou para o terminal para.. adivinhem  “ atendente virtual”. Chega a ser um deboche, uma ironia, se vou à loja quero falar com alguém e para fazer no terminal on line, faria da minha casa.
O mais bizarro de tudo isso é que ao ser atendida disse que pretendia cancelar a linha telefônica de meu pai, uma vez que ele havia falecido, sou surpreendida pela seguinte informação: _ “infelizmente senhora somente o próprio pode fazer tal solicitação de cancelamento”. Respirei pausada e calmamente e disse: _ Você entendeu que ele faleceu?. A atendente então disse, com aquele sotaque irritante: “Então senhora, somente o próprio”.
Certamente é um deboche, uma ironia desmedida, uma falta de respeito, pois caso essa “pessoa” tivesse entendido o que solicitei teria, na pior das hipóteses, me pedido uma psicografia com a assinatura do meu pai, uma vez que presencialmente ele não pode mais fazê-lo.
Interessante é que essas linhas telefônicas podem ser facilmente adquiridas, em qualquer lugar, até mesmo em cima da ponte da estação ferroviária de Madureira, subúrbio do Rio, sem qualquer identificação ou exigências a serem cumpridas. Nas lojas das operadoras , caso queiramos adquirir uma linha, há toda a facilidade a nossa disposição.
Pelo telefone somos importunados a qualquer hora com “sorteios e vantagens” que essas operadoras oferecem e, inclusive, sabem TODA nossa vida, pois figuramos em listas chamadas “carteiras de clientes” e somos “vendidos” para todas elas. Já recebi telefonemas nas mais diversas ocasiões, pois são incansáveis na caça aos sorteados. No supermercado, no médico, na madrugada, na boate, na igreja, e mesmo que o telefone esteja desligado sou “bombardeada” por mensagens.
Tenho utilizado a técnica da simpatia zero para tentar minorar esse assédio que recebo, ou então, a entrevista às avessas do tipo: Com quem eu falo? Qual o seu nome completo? De que cidade você fala? Como conseguiu meu telefone? Qual é a sua matrícula na empresa? Há quanto tempo você trabalha nessa empresa?Você tem uma linha dessa empresa? Funciona bem em sua casa? E muitas outras eu os tenho vencido pelo cansaço, pelo menos fico satisfeita de tê-los perturbado um pouco.

Epidemia de Incompetência



Estamos vivendo uma grave epidemia de incompetência. Os sintomas mais freqüentes  têm sido: Irresponsabilidade, descaso, falta de respeito, ironia, deboche, agressividade/passividade, morosidade, enfim uma total falta de ação naquilo que podia e devia fazer.
            Fico impressionada como o empenho em não se empenhar, por vezes seria tão mais fácil agir, pois a inércia em determinados casos demanda até muito mais esforço do que a ação, porém parece um prazer mórbido em dificultar as coisas para o próximo.
            Sabemos que em todas as profissões encontraremos os bons e os maus, aqueles que se empenham e aqueles que não, aqueles que investem no sucesso e os que, inversamente, investem pesado no fracasso, porém tenho passado por situações surreais que somente se explicam por termos uma cultura de explícita impunidade.
            Tenho como certo que a vida é feita de escolhas, isso é fato, portanto se alguém escolhe determinada profissão, entende-se que goste dela , pois a escolheu e se gosta deve ter o empenho de fazê-la, desempenhá-la bem, não é? Não! Não tem sido assim. Vejo profissionais infelizes, frustrados e culpam e punem àqueles que precisam de seu desempenho profissional.
            No mundo globalizado as pessoas deveriam estar unidas, pois a velocidade das informações é maior a cada dia, as distâncias diminuem, os meios de comunicação apresentam um leque de opções, porém o que se vê são pessoas que não gostam de pessoas, são máquinas virtuais atendendo pessoas, enfim.. a população aumenta e a solidão também.
            Vou relatar algumas sagas por mim vividas, experienciadas, que de tão surreais parecem fictícias, porém acreditem...são REAIS.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012




A ideia inicial era escrever uma coletânea de meus poemas, meus textos, era um sonho com batismo e tudo, chamaria -se “Coração nos Dedos”  meu livro, seguindo a idéia de meus sentimentos traduzidos em palavras, escorrendo pelos dedos e acabando num papel, imortalizado, perene, pra que as pessoas pudessem entender a complexidade de mim, se é que isso é possível.
            Para entender um pouco mais de mim e pra que minhas estórias tenham sentido, falarei que fui uma adolescente tímida, ou quase, amiga ao extremo, dedicada  , fiel, altruísta, aquela que recebia uma ofensa se magoava , mas desculpava o ofensor, justificado-o com carinho e sentindo-se até mesmo culpada de ter dado origem, de alguma forma àquela ofensa. Mas toda vida tem um acontecimento que faz com que rumos sejam mudados, comportamentos alterados, marcos, divisores de água.
            Meu divisor de águas, o acontecimento que fez com que eu me tornasse uma pessoa mais madura, ciente de meu valor, defensora de mim mesma, e com isso reativa, não no sentido agressivo, mas no sentido de me proteger, me defender  e estar pronta para a convivência em sociedade.
            Coincidência ou não, foi com uma professora de Psicologia no curso de magistério que eu fiz. Eu que até então, era totalmente respeitosa com os professores, incapaz de responder uma ofensa, fui pega de surpresa por esta professora que me chamou de ridícula , pelo simples fato de eu no intervalo, antes que ela estivesse em sala, estava penteando o meu cabelo, aquilo me deixou estarrecida e me fez despertar, pensar o porquê de eu receber tudo aquilo que me diziam sem me defender, eu merecia? Não..Não merecia ! Sentada de onde estava respondi que ridícula era ela, que deveria estar ajudando estudantes a se tornarem educadores e dava um espetáculo daqueles de falta de educação. A partir desse dia, passei a responder a toda e qualquer ofensa que eu recebia e me tornei “dona” de mim, minha defensora, no início meio sem medidas, mas depois conseguindo o equilíbrio, a serenidade para entender, quando eu deveria responder à altura ou quando deveria me calar por entender a ignorância do ofensor. Inicialmente causei  espanto nas “amigas”, que acostumadas com brincadeirinhas depreciativas , nunca respondidas e que agora eram respondidas usando a fraqueza de cada uma, pegava no “calcanhar de Aquiles” delas, para minha surpresa, ao invés de se afastarem de mim, passaram a me respeitar, vendo que eu tinha “carta na manga” para também deprecia-las, caso quisesse.
            Situações sociais, de convívio social, seja em que nível forem : familiares, fraternais, amizades, relacionamentos amorosos, profissionais, são sempre um desafio ao nosso auto-controle, nossa auto-estima. As pessoas cobram demais, perguntam demais, fiscalizam demais, e se ficarmos à mercê de todos esses inquisidores, não teremos mais vida, seremos escravos e vislumbrar felicidade real , plena é quase impossível, pois ninguém até hoje, conseguiu agradar à todos. Resolvi agradar a mim mesma, respeitando algumas regras de convivência social, mas sendo fiel a mim, agradando a mim, isso, é claro, incomoda. Ser diferente, fugir aos padrões estabelecidos traduz luta, luta perene e requer perseverança , amor incondicional a si mesmo, aceitar-se !!
            Sempre fui muito observadora, e sempre gostei de gente, das minúcias que circulam as relações humanas, as reações nas mais diferentes ocasiões e isso me fez desenvolver a sensibilidade e ter uma habilidade no trato com as pessoas. Fazer contatos, conhecer gente, saber de gente, penso que inspiro confiança, pois sou boa ouvinte e tenho uma palavra na hora certa, uma brincadeira que anima , um ombro para acolher e com isso angariei amigos, sendo franca e tendo um jeito meio que extrovertido, por vezes, incompreendido.
            Tendo uma adolescência turbulenta, fugindo aos padrões, precisei me aceitar com perfeita dentro das minhas imperfeições, valorizar-me para a partir daí enfrentar o mundo padronizado , em que a moda é ditada pela novela das oito, o cabelo, o jeito de falar, do que gostar e até mesmo na política é moda dizer que vota em fulano, é tão complicado ser diferente. A sociedade cobra, e nós aceitamos a cobrança, no fundo achamos que realmente estamos fora de algum padrão que deva ser o certo, pois se assim não o fosse não seria tido como “padrão”, primeiro a cobrança quando na adolescência, “cadê o namoradinho ?”, aí você arruma o namoradinho e pensa que estará livre das perguntinhas mas não ,surge outra e aí, “quando vão ficar noivos ?”, mais uma período de respostinhas com sorrisos amarelos, afinal você pode não querer ficar noiva e se você fica noiva não pense que vai se livrar, não a cobrança agora será pelo casamento e se você se casa aí sim, cessam as perguntas , afinal você é mulher, namorou, noivou, casou, ledo engano..Agora você precisa ter um filho para satisfazer essa tal sociedade e ficar dentro dos tais padrões, seu casamento vai bem, seu companheiro é perfeito, vamos ter um filho, ahhh que alegria, agora você é completa, não ainda não, “Quando vem o irmãozinho?” e você, preocupada com a família, marido, filhos, casa, trabalho, pois hoje somos também profissionais de sucesso, então somos perfeitas, correto? Não..você engordou, o que houve? Já que você conseguiu a duras penas, casar-se, ter filhos, ser profissional, temos agora que cuidar de sua aparência, você passa a caminhar, a fazer dietas da lua, da sopa, do palito com água, enfim emagrece e vai aquele encontro familiar linda, casada, com filhos, profissional de sucesso e vem uma e dispara: “Você está doente? Está tão magrinha!!”Não adianta tentar agradar a todos isso é totalmente impossível...Há que seguir-se padrões sociais de urbanidade, é claro, a convivência solidária e respeitosa e as Leis, pois nem Aquele que veio pra nos salvar agradou a todos.
            Algumas coisas que acontecem comigo são no mínimo inusitadas e por incrível que pareça sempre tenho uma testemunha, pois se assim não acontecesse seria difícil de acreditar, pois fogem a normalidade, ao “padrão de acontecimentos cotidianos”, e contá-los é um prazer, pois dramatizar “prende” os ouvintes e sinto-me representando eu mesma e posso “me ver , fora de mim”. Vou abrir um espaço no meu Blog, que vou chamar de “Coisas Cotidianas” que espero que gostem.

domingo, 2 de setembro de 2012

Tempestade em Copo D´Água




Analisando a origem da expressão “tempestade num copo d´água” com o significado de aumentar descabidamente a importância de eventuais acidentes nas relações pessoais, percebi que tais “tempestades” dependem de como cada um consegue lidar com determinadas situações e como são estritamente pessoais e intransferíveis não há como julgar se certas ou erradas.
            Quantas e quantas vezes criticamos o comportamento de pessoas que passam por determinada situação e quando nós mesmos estamos a passar por elas, agimos de forma semelhante ou até mesmo com maior dificuldade do que aquele que antes criticávamos.
            Quando um amigo passa pelo término de um relacionamento amoroso, entra em depressão, se afasta dos amigos, desacredita no amor, fica se lamuriando cada vez que nos encontramos e aquilo se torna até chato pois, de fora, pensamos que há tantas pessoas legais no mundo, tanta vida para ser vivida, que nosso amigo é tão especial, alegre, bonito, interessante que poderia simplesmente deletar aquele ser que o abandonou, sacudir a poeira e estar pronto para novos relacionamentos.Em verdade muitas vezes  no afã de cuidar daquele que amamos sofremos junto vendo a angústia do amigo e queremos ajudá-lo dando incentivo e boas palavras, mas nada sabemos do que vai no coração do outro, as minúcias que faziam daquele relacionamento especial embora para nós, aqui de fora, tenha sido uma libertação. Muita gente é feliz acorrentado, não quer a libertação!
            Quando alguém perde um ente querido os primeiros dias são recheados de amparo, ajuda, palavras de carinho, abraços e promessas de “estamos com você”. Na missa de 7º dia muitas pessoas comparecem, compartilham da dor e da saudade, aceitam suas palavras de saudade e dor. Mas.. o tempo passa e já na missa de 1 mês de falecimento somente os mais chegados comparecem e parecem já ter esquecido aquele que foi tão especial. A partir desse momento as pessoas meio que cobram que você esqueça, que se reerga, que deixe-o descansar em PAZ, com se falar dele ou dela, fosse proibido e trouxesse certa energia negativa, é se você insiste em falar, está a beira de uma depressão e está ficando chata.
            Isso aconteceu comigo, exatamente da maneira como expus, estava de um lado e passei a estar do outro. Quando um vizinho nosso faleceu, senti muito, pois era o vizinho/amigo muito especial, morava com sua esposa, há mais de 20 anos a nosso lado, freqüentava nossa família e ficamos de verdade sentidos e até hoje sentimos sua falta. Sua esposa, ficou literalmente sozinha, pois não tinha filhos e tudo que fazia era junto ao marido: compras, passeios, viagens, médico, resolução de problemas, enfim um existia por meio do outro e vice-versa. Quando ela , a esposa, demorou muito a se recuperar de sua perda, todos diziam que já estava na hora de colocar a vida em ordem, de começar a se habituar e muitas outras coisas. E, agora consigo entender perfeitamente como ela se sentiu, os momentos pelos quais passou e até senti-me envergonhada de ter em algum momento criticado esse ou aquele comportamento.
            Tive , há pouco mais de um mês, um encontro revelador com uma tia do meu pai de 84 anos. Fazia uma idéia dela totalmente distanciada da verdade. Enxergava-a como muito meticulosa, toda programadinha, com uma vida muito previsível e sem aventuras ou surpresas e confesso que até achava um tanto chata quando a encontrava na casa da minha avó. Religiosamente ia à casa de minha avó às 3 da tarde, lanchavam às 4 e ia embora às 5 e os papos, as conversas, eram sempre as mesmas. Quando meu pai faleceu ela marcou de vir aqui em casa para conversarmos, dar um apoio à família e esse encontro estava me dando calafrios. Pensava em como seria “suportar” tal visita por 3 horas.
            Eis que chegou o dia. E ela chegou às três da tarde , em ponto, e começamos a conversar, não sabia que assunto falar, que tipo de papo puxar. Eis que veio a grande surpresa, de fala fácil, inteligentíssima, animadíssima, com histórias fantásticas da vida, de amores, e o melhor de tudo com histórias da minha família que eu nem pensava que pudessem existir. Me fez entender a minha avó mais pouco, me fez olhar para a minha família com um olhar que eu jamais tive a oportunidade de ter. Nesse dia lanchamos não às 4, mas às 6 e ela saiu de minha casa às 7 e com a promessa de que voltaria pois foi uma tarde surpreendente e agradável.
            Cada dia mais me convenço que cada um É um, que cada um encerra em si um universo de pequenas coisas, que devo me policiar para não julgar. Que ao analisar fatos e atitudes presentes é preciso , se possível, conhecer um pouco da historia do outro para com isso tentar um melhor entendimento de determinada atitude e, principalmente, não esperar nenhuma atitude dos outros nos moldes do que eu ache que tenha que ser, isso é inteligência emocional, é poupar-se de decepções, evitar conflitos e ser mais feliz.
            Tempestades em copo d´água, tsunamis emocionais, maremotos pessoais, erosões sentimentais, minotauros mentais, labiritintos profissionais, coorentes sendo arrastadas em castelos ilusórios enfim cada um sabe a dor e a delícia de ser o que É.
            Mais uma vez parafraseando meu pai: “Cada um dá o que tem”

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Prazo de Validade!


Nas embalagens dos mais variados produtos vem escrito, sinalizado , o prazo de validade, ou seja, o tempo em que esse produto pode ser consumido , dentro das condições saudáveis e sem prejuízo para a sua saúde.
            Eu , em algumas situações, costumo dizer que tenho prazo de validade. Quando vou a uma festa tenho prazo de validade, ou seja, aqueles momentos em que você chega, cumprimenta os amigos, conversa, conta algumas novidades, come alguma coisinha, bebe um pouquinho ,dança se for o caso , até aí é saudável, faz bem a cabeça e ao coração, depois o teor alcoólico dos convidados começa a incomodar, pois começam as perguntas inconvenientes, as posturas não muito legais . Hora de ir embora com uma boa impressão do encontro.
            Na verdade somos controlados diariamente por prazos, prazos e mais prazos. Hora de acordar, de ir ao banheiro, de trabalhar, de sair do trabalho, de chegar em casa. Prazo para descansar , que são as férias. Carências nos planos de saúde.
            Algumas pessoas deveriam vir com o prazo de validade estampado em algum lugar que pudéssemos ter acesso, para saber o tempo que teríamos para nos relacionarmos de maneira saudável, sem riscos à saúde física e mental.
            Algumas amizades podem ser testadas com um simples NÂO, se não resistem a esse pequeno desconforto acabam de forma instantânea, o que nos leva a acreditar que era produto falsificado.
            Existem também aquelas amizades que são destinadas a momentos essencialmente alegres, ou seja, para o chopinho, as festas e quando tudo vai bem e como nem sempre tudo vai bem o tempo todo o prazo expira rapidamente também.
            Existem os relacionamentos intimamente ligados aos prazos, exemplo, um político é seu amigo durante a campanha eleitoral, depois disso ele simplesmente esquece tudo que diz respeito a você. Se você ocupa um cargo a presidência de uma firma, por exemplo, terá muitos amigos, colegas, colaboradores, mas esse relacionamento estará diretamente ligado ao cargo, ou seja, não se relacionavam com você e sim com o cargo que ocupava e se deixa de ocupar é claro que o elo se desfaz.
            Não me esqueço de um amigo que era Comandante da Marinha, ficava extasiado com a maneira pela qual era tratado por todos, achava-se querido e estimado por todos. Sabiam a data do aniversário de sua esposa, enviavam flores, de seus filhos, era convidado para festas familiares, enfim um relacionamento recheado de momentos bons. Quando ele aposentou-se, tudo cessou e inclusive quando foi resolver um pequeno problema no lugar onde trabalhou por muitos anos, olhavam-no com descaso, alguns até fingiram que não o conheciam. Sei que muitos ao ler dirão: Ahh , mas comigo é diferente, tenho amigos fiéis e sou querido por todos e eu diria: Até que o prazo de validade acabe.
            É claro que existem as exceções, amizades com prazo de validade indeterminado, que suportam tormentas, que agüentam vários “nãos” e o amor permanece, e o mais difícil : agüentam as nossas vitórias, sim pois chorar com alguém é fácil, alegrar-se pelo sucesso do outro é a parte mais complicada.
            Meu prazo de validade venceu para tolerar : Hipocrisia, ingratidão, leviandade, vitimismo e falsidade. Nesse momento estou a procura de antídotos para tais coisas, sei que conseguirei, pois nessa vida há que se ter tolerância, compreensão e muita paciência.

domingo, 22 de julho de 2012

MEU PAI...


Há tempos tenho buscado forças para escrever sobre o meu pai, pois não queria nada melancólico, nada com dor e sim algo que pudesse traduzir emoção, saudade, amor e acima de tudo agradecimento a ele.
            Falar dele como vivo, que é em meu coração e na Pátria espiritual, pois aprendi que somos seres espirituais passando por uma experiência terrena e não o contrário, portanto ele voltou para casa, porque mereceu, porque cumpriu com maestria sua missão.
            Queria falar dele com alegria , respeito e admiração. Sempre me lembro de momentos felizes e tenho arraigados em mim seus exemplos de dignidade, respeito e honradez.
            Um homem simples, vindo de uma família simples! Pai sapateiro e mãe dona de casa. Perdeu seu pai aos 26 anos e jamais esqueceu os exemplos desse amado e querido pai e todas as vezes que ouvia a música de Nelson Gonçalves que falava sobre um lugar a mesa vazio o fazia chorar. Herdou desse pai uma pequena fábrica de sapatos e durante 20 anos fez dela seu sustento e de sua família, pois casou-se cedo com minha mãe, sua primeira namorada ,com quem ficou por 54 anos
            Abnegado, lutador, guerreiro tinha o sonho de ser advogado e fez sua faculdade já casado, pai de família e trabalhando na pequena fábrica. Quando formou-se advogado reuniu eu e minha mãe e disse: “Vamos passar por momentos difíceis, mas agora vamos viver da minha advocacia” e nós, as mulheres da casa, assinamos embaixo e apoiamos em todos os aspectos aquele sonho, aquela luta.
            Desbravador, precursor , não demorou a ser reconhecido por seu talento, por sua fluência e conhecimento jurídico, digno daqueles que estudam por madrugadas a fio. Pautou seu trabalho, seu ofício, sua paixão, pela retidão de caráter, dignidade e luta pela justiça e pelo direito. E foi como tribuno onde viu surgir o reconhecimento que buscava! Protagonizou júris inesquecíveis nos tribunais do rio de Janeiro onde , além do conhecimento jurídico, utilizava sua veia artística, “prendendo” a assistência e o corpo do júri com sua fala ininterrupta e sempre acalorada. Respeitado por seus adversários, Magistrados e  membros do Ministério Público.
            Iniciou na política da Ordem dos Advogados do Brasil e todas as vezes em que foi eleito (30 anos) disse: “Fui eleito para servir e não para ser servido”. Coisa rara nos dias de hoje , pois as pessoas tem uma cultura “umbilical”, onde somente seus umbigos são importantes . Mário Sérgio Cortella , filósofo contemporâneo, diz que: “Um poder que não serve para servir é um poder que não serve”. Meu pai pensava exatamente assim.
            Líder carismático, sabia perfeitamente que enfrentaria grandes oposições porém jamais utilizou-se de meios escusos para obter suas vitórias, contava sim com amigos fidelíssimos e com sua conduta a depor em favor de si. Ensinou-me que o melhor conselho é o exemplo e que o melhor travesseiro é a consciência tranqüila.
            Homem de uma FÉ inabalável e de uma capacidade de perdão que ainda não conheci outra pessoa igual. Muitas vezes, após ter sido traído, nós o questionávamos o porquê de continuar acreditando nas pessoas e , ainda, conseguir ajudar aquele que o traiu e meu pai me olhando nos olhos dizia: “Porque eu não julgo ninguém , cada um dá o que tem! Se eu acredito em DEUS e Ele não julga quem sou eu para julgar?!” E sempre argumentava com uma atenuante para o ofensor. Confesso que preciso evoluir mais! Não conseguia entender e me sentia mal de não entender, de não conseguir mais me relacionar com o coração aberto com tal pessoa!
            Em 2001 foi despertada uma outra paixão: A docência! Aos 61 anos tornou-se Mestre em Direito elaborando seu trabalho sobre o Tribunal do Júri e sendo aprovado com louvor pela banca. A partir daí, encantou-se pela docência e dedicava aos queridos alunos grande parte do seu dia.
            Disse a ele , certa vez, que deveria dedicar-se integralmente a ministrar aulas pois ali o carinho e o reconhecimento são reais, são marcantes, fazem a diferença. Ali , junto aos alunos, é que deveria estar, pois com eles havia a possibilidade de incutir nos novos profissionais dignidade, respeito, ÉTICA. Ali, na base, na formação, é que seria imprescindível seus exemplos e mais aproveitados na prática!
            Sempre tive a real noção que somos insubstituíveis somente para aqueles que amamos e os que nos amam e nunca tive a ilusão , nem o desejo de reconhecimento externo, porém  de validação todos gostam e a melhor validação é perceber a tua obra. Mesmo os que não gostam de ti, se rendem frente a tua obra. As pessoas esquecem rapidamente o bem  que recebem porém se algum suposto mal lhes é feito tem caráter eterno.
            Meu aprendizado com ele foi abençoado .Quando recebeu a medalha Pedro Ernesto na câmara dos deputados pelos serviços prestados a advocacia fluminense, fui designada de surpresa para falar pra ele e por ele. Eu, a filha do tribuno brilhante, como? Foi mais fácil do que eu pensava, eu tinha muito a falar, falaria por horas somente verdades, e algo que falei jamais esqueci, disse eu: “ Se nada na minha vida der certo, se nada eu tivesse a agradecer ainda assim  teria algo inquestionável a agradecer à DEUS: Ter tido a oportunidade de ter pais como eu tenho. Meu pai, meu exemplo, meu ídolo, meu pilar de sustentação moral e minha mãe, minha amiga, minha companheira meu exemplo de dignidade e honradez” E esse agradecimento é hoje mais forte do que nunca!
            A relação com o poder é muito louca. Aprendi que quando se está em algum lugar de destaque social, seja ele qual for, surgem “ do nada” amigos de infância, admiradores, parceiros e basta um pequeno tropeço para que sumam e voltem para o nada de onde vieram. Isso é natural , cada um dá o que tem, dizia meu pai! Sabia exatamente quem eram os amigos da “ cadeira” e os amigos do coração e eu aprendia extasiada aquela maneira firme e serena de se relacionar com ambos. E que “cadeira” ilusória...
            Certa vez perguntei a ele como era lidar com tantas pessoas diferentes e com tantos sentimentos diametralmente opostos tipo amor e ódio, se ele não se incomodava com tantos olhares não muito bons para ele, como lidava com essa energia e ele disse: “ O mal que te desejam é igual a um presente, se você não aceita o presente com quem fica? E mais uma vez disse: cada um dá o que tem!”
            Poucos conheceram o Roberto animado, leve, com o pano de pratos sobre os ombros “queimando uma carne” no quintal do nosso palácio! Que gargalhada gostosa, que dancinhas exóticas “ Se via como o rei do ritmo”, bebericando sua cerveja e falando do seu amado Fluminense!
            Nos jantares dançantes da OAB se preocupava com todos, para que todos ficassem e fossem felizes e sempre disse que “ não há festa sem convidados” e ele também ficava feliz em ver o ambiente lotado de sorrisos e naquele momento pouco importava se fossem verdadeiros ou não! Importava o congraçamento, a união, a festa e nesses momentos sempre agradecia à DEUS a oportunidade de estarem juntos e quando chegava à casa, agradecia rezando seu terço coisa que fazia todos os dias de sua vida!
            Quando alguém como ele adoece, deixa triste e meio cinza tudo ao redor. Falta uma luz, falta o sorriso, falta a implicância, falta algo no ar. Quando não briga causa estranheza, e a gente se pergunta até se papai do céu não errou . Sim, a gente questiona tudo! Mas ele é guerreiro, ele luta , ele vence todas, ele não perde, não perdeu e não perderá nenhuma batalha, não ele, não o advogado abençoado!
            E hoje, vejo, ele continuou sem perder! Tudo que se propôs na vida a fazer ele fez e fez com dignidade, com FÉ, com alegria, com abnegação e com brilhantismo! Seria seu retorno à casa do PAI uma derrota? Não, absolutamente não, é o destino de todos, a única certeza nessa passagem terrena e ele, certamente, estará trabalhando firmemente para o bem no plano espiritual .
            Quando do sepultamento do meu pai pedi que ninguém fizesse uso da palavra, pois naquele momento a dor era minha, particular, intransferível pois disse eu que poderia haver ex-amigo, ex-professor, ex-presidente, ex- colega, ex-adversário, mas não há, e nunca haverá ex-PAI. Sei que corri o risco de ser injusta com muitos amigos que ele fez durante a vida e sei que são muitos, imensamente maiores do que os supostos desafetos, porém preferi correr esse risco do que arriscar-me a ouvir palavras que não me soassem verdadeiras,  sei que os verdadeiros amigos compreenderam e apoiaram a minha solicitação e por esse motivo agradeço. E depois meu pai foi homenageado pelo presidente da seccional do Rio de Janeiro , representando a instituição que ele, por 30 anos, defendeu.
            Aqueles que tiveram o privilégio de conviver com o meu pai desejo que possam ter usufruído de seus exemplos de dignidade e honradez sejam eles alunos, amigos , colegas de profissão, companheiros de batalha.
            Feliz estou de receber o abraço e o carinho de tanta gente , pessoas que ele ajudou, pessoas que ele orientou e vejo que realmente cumpriu sua missão e fez a diferença sua passagem pela Terra e até mesmo aos que não tinham por ele afeto eu agradeço e vou parafrasear meu pai: “ Cada um dá o que tem”.
            Hoje, agora, agradeço à DEUS a oportunidade de ter tido como pai , amigo, parceiro o ROBERTO LUIZ PEREIRA para SEMPRE vivo em meu coração. Te amo, pai!

segunda-feira, 28 de maio de 2012

SUSTO


É extremamente frustrante quando nos deparamos com conflitos em razão de falta de objetivos comuns, do sentimento de pertença, de cuidado com o bem comum.

Pergunto-me, várias vezes ao dia, para que serve o meu trabalho, que diferença ele faz , a quem está direcionado e de que maneira está sendo entendido/visto esse trabalho, essa dedicação.

Não consigo compreender essa inversão de valores na sociedade, não consigo entender como pode o errado estar certo e o certo estar errado. Não é somente questão de mídia, de publicidade do mal . É ,também e principalmente, questão de valores familiares, sociais e humanísticos.

Muitas vezes vemos reportagens que qualificamos como absurdas, onde pessoas destroem orelhões (que é de uso comum e podem salvar vidas numa emergência), outras destroem ônibus, vagões de trem pois se sentem prejudicadas por atrasos ( E, é claro, depois da destruição, os atrasos serão maiores), picham residências, monumentos, pois acham bonito, traz popularidade, mas ninguém pensa em nem mesmo um ínfimo segundo que pode ter sido fruto de muito sacrifício a compra daquela tinta pelo morador. Não se pensa que com o simples fato de se comprar um produto “pirata”, estamos prejudicando toda uma indústria que tem obrigações sociais e emprega famílias. Não nos cabe julgar se é o não justa a carga tributária, não nesse momento da compra, e sim com manifestações equilibradas, dentro da legalidade .

É muito difícil pra nós, educadores, nos depararmos com determinadas atitudes dentro da escola. Aqui que é o NOSSO lugar, o lugar onde toda equipe trabalha para ,cada vez mais, fazer um lugar diferente, um lugar aconchegante, com conforto e principalmente dignidade. Um diferencial em educação e a cada dia que alguém mostra que não gosta desse lugar, destruindo, danificando, fazendo mau uso de algo que se destine ao bem comum, nos dá um desânimo imenso, uma vontade grande de desistir e deixar que tudo ande conforme a vontade , ou seja, quebrou, deixe ficar assim, danificou, não substitua. Mas....ainda conseguimos não pensar somente naqueles que tem esse comportamento desleal, pensamos naqueles que se importam, naqueles que querem um lugar melhor e por isso continuamos. O que mais entristece é que se perpetua a idéia de valorizar somente quando perdemos. É tão triste saber que não conseguem perceber o lugar especial que vocês têm, não um lugar onde ninguém erra, mas um lugar onde todos estão querendo acertar e fazendo de tudo para acertar.

É impressionante como não conseguem perceber que o que habilita uma voz a reivindicar direitos é exatamente cumprir, primeiramente, seus deveres. É preciso mudar, é preciso perceber que algo não vai bem. O que mais desejo nesse momento é que percebam que há ALGO ERRADO! Desejo que possam ter a exata dimensão do erro, pois caso contrário, não haverá uma mudança real, em essência. Se o que aconteceu parece bobo, é corriqueiro, realmente temos ( nós/ escola) que fazer alguma coisa urgente, pois a noção de certo e errado não está existindo.

Martin Luther King, pastor norte-americano, certa vez disse: “ O que me assusta não é o barulho dos maus e sim o silêncio dos bons” e é, exatamente isso, que está me assustando muito.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Confiança...

Um amigo me fez uma pergunta profunda: Mônica , você confia em mim?

Comecei a pensar ,antes mesmo de responder, pois há alguns aspectos a considerar.

Confiar em alguém não significa somente ser digno de receber uma confissão , vai além, é sentir-se tranqüilo para ser quem a gente é, em essência, é poder falar o que sente sem senões, é saber que a pessoa estará lá, muitas vezes para te gritar verdades tão ruins de ouvir.

Confiança, de acordo com o dicionário é o ato de deixar de analisar se um fato é ou não verdadeiro, entregando essa análise à fonte de onde provém a informação e simplesmente considerando-a. Se refere a dar crédito, considerar que uma expectativa sobre algo ou alguém será concretizada no futuro.

Confiar é estar tranqüilo, é uma sensação de paz estando com o outro, seja ele amigo ou amor.

Aprendi, desde pequena que a verdade ,por mais dolorida que venha ser, é sempre o melhor caminho. Se aprontava alguma e era perguntada pela minha mãe ou meu pai, assumia, pois queria que meus pais tivesses confiança em mim, que quando eu negasse a autoria de algo, tivesse peso minha palavra, pois sabiam que se realmente eu fosse a culpada eu diria. Assim formei meu juízo de valor, confiança tem a ver com verdade.

Não significa que tenhamos sempre que acertar, os erros fazem parte dos acertos , assim como os venenos fazem parte dos antídotos, porém há que se ter o cuidado com o outro.

Enfim, respondi que eu confio no meu amigo.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Estaleiro de gente..




Sabem aquelas pessoas que parecem predestinadas a somente ajudar outras pessoas e, que por vezes, parecem que sua única “utilidade” é ajudar, que não tem vida própria fora dessa missão? Pois é, creio que são pessoas estaleiro.

Segundo a definição estaleiro é o lugar onde se constroem ou se consertam navios. No estaleiro também se pode converter uma embarcação de um tipo em outra, com finalidade diferente como de cargueiro a navio de passageiros, por exemplo.

Se analisarmos a vida como um grande mar, sujeito a tempestades e calmarias, com pequenas e grandes embarcações, algumas luxuosas e outras simples, a motor , vela ou remos podemos ver que muitas vezes são necessárias paradas para conserto, ou até mesmo mudar a finalidade da embarcação.

Conversando com amigos, observando o movimento da vida pude perceber que existem mesmo pessoas que são como estaleiros, que ficam ao lado da embarcação, cuidam das avarias,fazem todo tipo de reparo e quando a embarcação se vê pronta para navegar, parte sem olhar para trás.

São muitos os casos daqueles que tentam a fama e tem sempre um( a) companheiro( a ) que estão a seu lado nas lutas, nas dificuldades, amparando, incentivando, dando força , torcendo e acreditando no sucesso e quando a fama chega..ahh quando a fama chega aquele( a ) que deu todo o suporte psicológico é esquecido( a ) , deixado( a ) de lado, pois parece fazer parte de uma realidade que precisa ser esquecida.

Quantos são os casais que lutam juntos, passam por privações e batalham por uma ascensão social e quando conseguem, quase sempre existe a separação? Na maioria das vezes porque um dos dois encontrou um outro alguém que abalou a relação, alguém que já pegou o trajeto em “mar aberto”, não passou pelo período de construção, planejamento, investimento.

Nos grupos sociais sempre existe aquele que é o bom ouvinte, o conselheiro, o equilibrado, aquele que tem seu ouvido, atenção e tempo “roubados” por todos os outros que despejam seus problemas, dúvidas, inseguranças e quando desabafam, deságuam suas lágrimas, desafogam de suas frustrações e sentem-se livres, não se lembram do depósito( no caso o ouvinte ).

Tenho uma amiga que está hoje, numa fase estaleiro e sabe bem disso, pois seu companheiro, antes empresário, rico, com uma vida de luxo onde freqüentava somente as rodas da alta sociedade, com compras em lojas de griffes famosas, com o passaporte carimbadíssimo pela viagens de sonho que fez, aportou em seu cais , com a saúde abalada, falido e depressivo e ela se desvela em cuidados, atenção e sabe que somente teve a oportunidade de conhecê-lo pelo revés que ele sofreu na vida e a família que ele tinha e sustentava com luxo o abandonou e cada um deles segue numa vida luxuosa porém sem se lembrar que ele existe. Esse atitude dela me intrigou e perguntei se ela estava preparada para a partida dele quando tudo voltasse ao normal, se ela tinha a consciência de que normalmente os homens não ficam com as mulheres que lhe colam os cacos, pois geralmente querem esquecer as fases difíceis e você será a prova viva de toda dificuldade que passou, ela não me respondeu.

Tenho uma prima que passa longo tempo sem me procurar, sem saber como estou , com vai minha vida, se me sinto algumas vezes só , enfim se estou bem e quando me procura, invariavelmente, é para desabafar e dizer que está mal, que precisa conversar, desabafar e eu, usando meu lado estaleiro, ouço, acolho, aconselho e quando ela some de novo, sei que está bem, geralmente porque arrumou um novo e eterno amor. Que bom que a gente consegue aliviar o outro, ser um porto seguro, em alguns momentos, mas não em TODOS os momentos.

Teria muitos exemplos de pessoas estaleiros, inclusive eu sou uma delas, mas meu estaleiro está fechado, estou navegando em altos mares agora somente em mar aberto podem me encontrar, ou seja, se estiver bem, navegando a pleno vapor.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

SIMANCOL

Em 2012 gostaria de oferecer doses diárias de SIMANCOL, aquele concentrado de bom senso, noção, um mínimo de vergonha , para alguns.


É impressionante a falta de noção de algumas pessoas que não percebem, ou fingem não perceber, quando estão sendo inconvenientes, inoportunas, desagradáveis, quando impõem sua presença, falam sem aquele verniz social sem se importar o efeito que a palavra possa ter.


Geralmente quem muito reclama seus direitos numa urgência desmedida, são exatamente aqueles que são vagarosos, lentos mesmo , no cumprimento de seus deveres, do tipo: “farinha pouca meu pirão é primeiro”, numa cultura “umbilical” só conseguem enxergar SEUS direitos, os dos outros ficam sempre para depois, muito depois e , por vezes, caem até no esquecimento.


É interessante observar alguns movimentos em determinados grupos sociais e parecem se repetir com personagens que, da mesma forma , se repetem, se perpetuam nos grupos sociais.


Sempre haverá o boicotador, aquele que se dedica , gasta seu tempo e sua energia para que as coisas não dêem certo, se alimentam de desarmonia, conflito, intriga. Saltitam felizes quando há algo de estranho no ar, pois podem fomentar fofocas, discórdias e , é nesse momento que se travestem de “amigo” e tem sempre algo de negativo para dizer para por um pouquinho mais de “lenha na fogueira”.


A figura do “Murilo”, o que fica em cima de muro, não se coloca, não opina, não é de lado nenhum, pois prefere se manter suiçamente neutro e pode transitar em ambos os lados sendo invisível.


O inseguro, o prepotente, o maledicente, o entusiasta , o mil e uma utilidades, enfim é preciso saber lidar com essa infinidade de papéis.


É difícil perceber quando está sendo inconveniente?


Se chega , onde já existe uma conversa rolando, todo param e te olham , com aquele olhar de: “ volte mais tarde” ainda é necessário perguntar: Incomodo? Estou atrapalhando?. Creio que não. A gente consegue perceber quando chegou numa hora imprópria, então uma saída pela direita ou esquerda , no estilo do Leão da Montanha, é bem-vinda!


Quando você encontra com alguém que não vê há muito e percebe que esta pessoa mudou, envelheceu, não tem mais aquele viço, é realmente necessário dizer: Nossa, como envelheceu, está acabado, está doente, o que houve? Hum..creio que não, demonstre seu carinho com um sorriso acolhedor, dependendo do grau de intimidade , com aquele abraço confortador, com algum comentário feliz de uma época que viveram, que certamente aquela pessoa se sentirá melhor depois do reencontro com você.


Muita gente tem uma super sensibilidade quando se trata de si mesmo, se magoam com facilidade, mas são implacáveis nos comentários maldosos para os outros, parece que minimizam suas frustrações quando se dedicam a apontar os defeitos dos outros.


Enfim, desejo que ,em 2012, possamos ter doses diárias de SIMANCOL e que possamos enxergar o outro(Seja ele quem for) de maneira carinhosa, condescendente, que possamos manter a nossa individualidade sem individualismos, que tenhamos a capacidade real e sincera de nos alegrarmos com as conquistas dos outros, que ao tentarmos julgar os outros olhemos primeiramente para nós mesmos e exercitemos nos colocarmos no lugar deles e, por fim, que amemos, amemos em essência.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Ninguém é Insubstituível!



Na sala de reunião de uma multinacional o diretor nervoso fala com sua equipe de gestores.
Agita as mãos, mostra gráficos e, olhando nos olhos de cada um ameaça: "ninguém é insubstituível"!

A frase parece ecoar nas paredes da sala de reunião em meio ao silêncio.
Os gestores se entreolham, alguns abaixam a cabeça. Ninguém ousa falar nada.
De repente um braço se levanta e o diretor se prepara para triturar o atrevido:
- Alguma pergunta?
- Tenho sim. E Beethoven?
- Como? - o encara o diretor confuso.
- O senhor disse que ninguém é insubstituível e quem substituiu Beethoven?
Silêncio…

O funcionário fala então:

- Ouvi essa estória esses dias, contada por profissional que conheço e achei muito pertinente. Afinal, as empresas falam em descobrir e reter talentos, mas, no fundo, continuam achando que os profissionais são peças dentro da organização e que, quando sai um, é só encontrar outro para por no lugar. Então, pergunto: quem substituiu Beethoven? Tom Jobim? Ayrton Senna? Ghandi? Frank Sinatra? Garrincha? Santos Dumont? Monteiro Lobato? Elvis Presley? Os Beatles? Jorge Amado? Pelé? Paul Newman? Tiger Woods? Albert Einstein? Picasso? Zico? Etc.?…

- Todos esses talentos que marcaram a história fazendo o que gostam e o que sabem fazer bem, ou seja, fizeram seu talento brilhar. E, portanto, mostraram que são sim, insubstituíveis. Que cada ser humano tem sua contribuição a dar e seu talento direcionado para alguma coisa. Não estaria na hora de os líderes das organizações reverem seus conceitos e começar a pensar em como desenvolver o talento da sua equipe, em focar no brilho de seus pontos fortes e não utilizar energia em reparar seus 'erros ou deficiências'?

- Acredito que ninguém se lembra e nem quer saber se BEETHOVEN ERA SURDO , se PICASSO ERA INSTÁVEL , CAYMMI PREGUIÇOSO , KENNEDY EGOCÊNTRICO, ELVIS PARANÓICO… O que queremos é sentir o prazer produzido pelas sinfonias, obras de arte, discursos memoráveis e melodias inesquecíveis, resultado de seus talentos. Mas cabe aos líderes de uma organização mudar o olhar sobre a equipe e voltar seus esforços, em descobrir os PONTOS FORTES DE CADA MEMBRO. Fazer brilhar o talento de cada um em prol do sucesso de seu projeto.

- Se um gerente ou coordenador, ainda está focado em 'melhorar as fraquezas' de sua equipe, corre o risco de ser aquele tipo de ‘técnico de futebol’, que barraria o Garrincha por ter as pernas tortas; ou Albert Einstein por ter notas baixas na escola; ou Beethoven por ser surdo. E na gestão dele o mundo teria PERDIDO todos esses talentos.

Olhou a sua a volta e reparou que o Diretor, olhava para baixo pensativo. Continuou:

- Seguindo este raciocínio, caso pudessem mudar o curso natural, os rios seriam retos não haveria montanha, nem lagoas nem cavernas, nem homens nem mulheres, nem sexo, nem chefes nem subordinados… Apenas peças… E nunca me esqueço de quando o Zacarias dos Trapalhões que 'foi pra outras moradas'. Ao iniciar o programa seguinte, o Dedé entrou em cena e falou mais ou menos assim:"Estamos todos muito tristes com a 'partida' de nosso irmão Zacarias... e hoje, para substituí-lo, chamamos:…NINGUÉM…Pois nosso Zaca é insubstituível.” – concluiu, o rapaz e o silêncio foi total.

Fonte: autor desconhecido